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Trabalho das mulheres na pandemia aumentou com inclusão de tarefas e de pessoas para cuidar, diz pesquisa

30/07/2020

Mulheres negras e residentes de áreas rurais assumiram mais responsabilidades com relação ao cuidado do outro, segundo estudo.

Metade das brasileiras passou a cuidar de alguém durante a pandemia de Covid-19. É o que revelam os dados de uma pesquisa realizada pela organização de mídia Gênero e Número em parceria com a Sempreviva Organização Feminista divulgada nesta quinta-feira (30). Considerando apenas os ambientes rurais, o número passa para 62%. Além disso, 41% das mulheres empregadas afirmam estar trabalhando mais do que antes.

A pesquisa foi realizada de forma on-line com mais de 2.600 mulheres entre abril e maio, e considerou uma variável amostral para que os resultados se aproximassem da realidade de todo o Brasil. Os pesquisadores aplicaram um questionário para identificar os efeitos da crise da saúde sobre o trabalho, a renda, e a sustentação financeira, contemplando o trabalho doméstico e de cuidado realizado de forma não remunerada no interior dos lares.

As respostas foram analisadas levando em consideração variáveis como a etnia e localização das mulheres — se moram em áreas rurais ou urbanas.

O resultado da pesquisa mostra que as mulheres negras e residentes de áreas rurais assumiram mais responsabilidades com relação ao cuidado do outro. Além disso, as mulheres negras relataram ter menos suporte nestas tarefas.

As mulheres brancas representam a maior parte das mulheres que seguiram trabalhando e tiveram o salário mantido durante a pandemia. Neste grupo, 41% relatou estar trabalhando mais, mostrando o peso da ausência de empregados em casa ou de espaços como a creche e a escola.

 

Uma carrega garrafas de água após receber doação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, na quinta-feira (23), durante a pandemia de Covid-19 — Foto: Bárbara Dias/AGIF via Estadão Conteúdo

 

Para 40% das mulheres, a pandemia e o isolamento social colocaram a sustentação da casa em risco. A maioria delas (55%) são negras, que relataram dificuldades no pagamento de contas básicas ou do aluguel.

Segundo a socióloga Tica Moreno, da Sempreviva Organização Feminista, os dados mostram que as dinâmicas de vida e trabalho das mulheres se contrapõem ao discurso de que o trabalho e a economia pararam durante o período de isolamento social.

“Os trabalhos necessários para a sustentabilidade da vida não pararam – não podem parar. Pelo contrário, foram intensificados na pandemia. A economia só funciona porque o trabalho das mulheres, quase sempre invisibilizado e precarizado, não pode parar”, comentou em entrevista à Agência Bori, especializada em divulgação cientícia e responsável por apresentar o trabalho.

Para a diretora da Gênero e Número Guilliana Bianconi, os resultados do estudo dão visibilidade para a crise do cuidado. “O cuidado está no centro da sustentabilidade da vida. Não há possibilidade de discutir o mundo pós-pandemia sem levar em consideração o quanto isso se tornou evidente no momento de crise global”.

 

Fonte: G1

As notícias publicadas e reproduzidas nessa plataforma são de inteira responsabilidade de seus atores (citados na fonte). Dessa forma, os mesmos não traduzem necessariamente a opinião da Advocacia Trabalhista Borges


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