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Distrito Federal registra um acidente de trabalho a cada uma hora e meia

08/04/2019

Desde 2012, o Distrito Federal amarga uma triste estatística: a cada uma hora e meia, um trabalhador se fere enquanto exerce a sua profissão. Desde então, houve 42.821 vítimas de acidentes registradas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Do total, 13.994 tiveram de se afastar do emprego e 202 morreram. Com benefícios acidentários, a capital gastou quase R$ 169 milhões neste período. As principais lesões no ambiente de trabalho no DF são por fraturas (6.102), cortes e feridas (5.514), esmagamento ou contusão (5.311) e torção (4.469). Os números do MPT foram coletados entre 2012 e 2017.

O levantamento também incluiu os setores econômicos mais propensos à ocorrência de acidentes: atividades de atendimento hospitalar (4.309), dos correios (2.324), de construção de edifícios (1.813) e do comércio varejista (1.464).

Os acidentes fizeram o DF perder o equivalente a mais de 3 milhões de horas de trabalho nos últimos sete anos. Meire Morais, 47 anos, é uma das vítimas. Desde 2017 ela está desempregada devido a uma lesão no joelho esquerdo. “Trabalhava como empregada doméstica em uma mansão no Park Way. Num dia, subi em uma cadeira para estender roupas no varal, desequilibrei-me e caí. Até hoje sinto a dor. Nunca mais fui a mesma pessoa. A Meire trabalhadora e guerreira não existe mais”, lamenta. Meire não consegue ficar em pé por muito tempo e anda mancando. Apesar disso, ela nunca foi submetida a uma cirurgia e vive à base de medicamentos para aliviar a dor. “A cada dia, o sofrimento é pior. O meu joelho fica muito inchado, e a coluna também dói”, comenta.

O que mais a revolta, no entanto, é a maneira como foi tratada pelos antigos patrões. “Mesmo vendo a minha angústia, a única coisa que eles fizeram foi chamar uma ambulância. Depois, nunca mais quiseram saber de mim. Eu esperava um pouco mais de consideração.”

Prevenção

Marcos trabalha na construção civil: Marcos trabalha na construção civil: "Um simples prego jogado no chão pode ser motivo de acidente" (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press) Professora do curso de técnico em segurança do trabalho do Instituto Federal de Brasília (IFB), Sandra de Araújo ressalta que patrão e empregado devem caminhar de mãos dadas tanto para evitar acidentes quanto para que a vítima receba o suporte necessário para a sua recuperação. “A falta de comunicação é um dos motivos que mais compromete a segurança do trabalhador. Os dois lados têm de estar juntos. Assim, menos acidentes acontecerão.

O empregador tem de primar pela qualidade de vida de todos os que trabalham para ele”, afirma a especialista. Sandra destaca a importância de o funcionário informar problemas no ambiente de trabalho. “Ao notar algo errado em um maquinário, por exemplo, ele deve comunicar imediatamente aos setores responsáveis para que sejam tomadas providências. Cada trabalhador tem de estar atento. Vestir a camisa da segurança do trabalho é fundamental”, analisa.

Ajudante de elétrica em uma empresa de construção civil, Marcos Gabriel Mesquita, 19, segue as recomendações da professora. Graças ao cuidado redobrado, ele nunca se feriu em quase um ano de profissão. “Em um canteiro de obras, temos de observar tudo. Um simples prego jogado no chão pode ser motivo de acidente”, comenta. “Não podemos trabalhar de qualquer jeito. Caso aconteça algum imprevisto, seremos os principais prejudicados. Temos de manter a atenção a todo momento”, acrescenta. Técnico de segurança do trabalho, Bruno Miranda fiscaliza a obra para observar as condutas dos operários. Técnico de segurança da mesma empresa, Bruno Miranda, 27, implementa políticas de proteção aos funcionários do empreendimento. Além de conscientizar sobre a importância do uso correto de equipamentos de proteção, diariamente ele fiscaliza a obra para observar as condutas dos trabalhadores. “Em 10 anos como técnico de segurança, nunca presenciei acidentes graves. Sempre alerto os funcionários sobre as consequências desses episódios, pois é um tipo de erro que muitas vezes não conseguimos consertar. Afinal, temos apenas uma vida”, ressalta.

Investimento

“Os números são preocupantes e refletem um mau planejamento das empresas. Para evitar acidentes de trabalho, são necessárias boas logísticas. Gastar em segurança não é uma perda, mas, sim, um investimento.

O funcionário tem de estar em um ambiente no qual ele se sinta seguro e que não tenha riscos”, observa o procurador do MPT Leonardo Osório, responsável nacional pela Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho. Reforçar a importância da prevenção dos acidentes de trabalho é justamente o que prega a campanha Abril Verde (leia Para saber mais), que chama a atenção da sociedade para a adoção de uma cultura de combate aos acidentes e às doenças ocupacionais. “É importante que os empregadores promovam seminários e reuniões para demonstrar a toda a sociedade a necessidade de segurança do trabalhador”, analisa Osório.

 

Fonte: Correio Braziliense