A vida alheia no ambiente de trabalho

27/07/2017

Fofoca. A palavra em si já remete a algo inadequado, proibido e que não soa bem, independentemente do ambiente em que ela esteja sendo semeada. O principal componente que faz a fofoca florescer é justamente o ‘prazer’ de fazer fofoca aliado a uma plateia que gosta de ouvi-la. A prática é tão disseminada em nossa sociedade que é sabido que existe uma indústria para falar da vida alheia, que ganha dinheiro com mexericos.

Quando falamos do assunto de uma maneira genérica e ampla, a fofoca até pode soar engraçada ou inofensiva. Contudo, sua prática não é e nunca foi algo legal, até porque a fofoca sempre parte de uma inverdade ou de informações não apuradas e que tem puramente o intuito de satisfazer o fofoqueiro ou a intenção de prejudicar um terceiro agente.

Ao analisar esse comportamento de pessoas dentro das organizações nos últimos anos, percebi o quanto essa prática é prejudicial aos negócios e as pessoas. Exemplo: se a ‘rádio corredor’ ou ‘rádio peão’ começa a disseminar informações de que a empresa está quebrando, que colaboradores serão demitidos, que determinado produto ou serviço está sendo malquisto pelos clientes, isso vai gerar angústia nos trabalhadores, afetando o clima organizacional, prejudicando a produtividade e o crescimento da companhia.

Outra forma de manifestação de fofoca é aquela de indivíduo para indivíduo. Essa tem o intuito específico de prejudicar uma determinada pessoa por diferentes motivos. Geralmente, o promotor da fofoca é o colaborador que tem baixa autoestima, precisa de holofotes para tentar se sobressair, que tem a necessidade de mostrar aos outros quem têm privilégios de informações de bastidores, dando a entender um suposto poder. Em anos de consultoria já presenciei pessoas sendo despedidas porque foram vítimas das ‘más línguas’.

Por ser algo sedutor, a fofoca é algo difícil de ser evitado. Mas existem mecanismos para tentar conter sua expansão no ambiente organizacional. O primeiro passo para não cairmos na armadilha é identificar quando uma informação chega de bastidor, de mansinho. Se ouvir, não de ouvidos. E o mais importante, não repasse para frente. Tenha em mente que, a pessoa que fala mal de outra, na primeira oportunidade, também vai falar algo de você. Confie desconfiando.

As empresas precisam tentar eliminar tudo aquilo que pode gerar fofocas. Um ponto bom de partida é ter processos transparentes, abertos e claros de comunicação com os colaboradores. Isso acontecendo, a fofoca não sobrevive, ela odeia tudo aquilo que não for bastidor e transparente. Investir em treinamentos lúdicos com o público interno também é uma forma de se resguardar. As vezes as pessoas não sabem que são fofoqueiras, ou não admitem ter tal conduta, vendo a fofoca somente no outro.

Identificando um fofoqueiro dentro da organização, a gestão precisa chamá-lo para uma conversa, explicar o desagrado para corrigir processos, exercitando o feedback. Se após essas orientações a pratica continuar, não tenha dúvida de que o perfil fofoqueiro não deve ter espaço dentro da equipe.

Mas, para chegar a esse grau de maturidade a gestão necessita estar bem madura, com uma gestão focada nos negócios e no bem-estar das pessoas e ao mesmo tempo focada em resultados. É preciso destacar que a fofoca não tem gênero e muito menos hierarquia, ela circula em todos os meios. Se isso estiver claro, certamente a vida das outras pessoas será a última coisa a se discutir dentro de uma empresa, porque os colaboradores, implicitamente entenderão que existem outras coisas mais importantes para se fazer dentro da companhia do que ficar falando da vida alheia.

 

Fonte: Gazeta do Povo